NAMORO, NOIVADO E CASAMENTO NO TEMPO DE MARIA E JOSÉ

 

No dia 12 de Junho se comemora no Brasil o dia dos namorados e no dia seguinte a festa de Sto Antonio. Juntando os dois eventos, podemos refletir de como se relacionam os casais hoje e os do tempo de Maria e José.

A tradição nos diz que São José é o verdadeiro responsável por fazer as moças casarem. Santo Antônio ajuda a arrumar namorado, mas casamento é com São José, o padroeiro da família. Por ser carpinteiro, ele é conhecido também como padroeiro dos trabalhadores.

No tempo do casal sagrado havia um compromisso sério por um período de mais ou menos um ano antes do casamento. Em relação a união entre um homem e uma mulher, os judeus seguem à risca as leis do AT.  Em Gn 2,18 diz: Então o Senhor Deus disse: "Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda". Embora a Bíblia não apresente a palavra namoro, mostra na prática como ele era, ou o que poderíamos chamar de namoro, ou conhecimento do outro.

O namoro ou noivado de Maria e José se deu nos moldes da época.  A visita do anjo Gabriel aconteceu no período da espera do casamento que era chamado de NAMORO/NOIVADO/DESPOSÁRIO. Possivelmente José nem se encontrava em Nazaré devido aos afazeres para o casamento. Como um homem justo e trabalhador, se preocupava na preparação da casa que seria dele e de Maria. Quanto a festa ficava a cargo dos pais da noiva.

Havia também o recebimento do dote pelos pais da noiva (“mohar”) que por certo foi tudo resolvido entre José, Joaquim e Ana os pais de Maria, assegurando assim a festa do casamento que durava em média sete dias. Desta forma o casal entrou num período de noivado formal de um ano.

O tempo do noivado era considerado sagrado, como o próprio casamento e não podia ser desfeito. Apenas um divórcio formal que era um escândalo, poderia desfazê-lo. No casamento judeu atual após a leitura do documento do acordo nupcial, as mães dos noivos quebram um prato de porcelana indicando que como a porcelana nunca pode ser consertada, um contrato de noivado quebrado também não o é.

No período do desposado (noivado), a noiva aprendia os costumes do futuro marido com a família; enquanto ele ia preparar a sua nova casa, que podia ser no meio da sua família ou em outra cidade. Depois de um ano ele vinha buscá-la.

Cabia a  Noiva, usar um véu  sempre que saísse de casa, a fim de que outros homens soubessem do seu compromisso com outro homem e assim não se aproximariam dela com outra oferta de casamento.

 

No tempo de José e Maria, os jovens geralmente não escolhiam com quem iam casar-se, mas seus pais. No caso deles foi o próprio Deus.

A lua de mel isentava o casal de vários compromissos com o Estado, que perdurava por um ano (Dt 24,5)- “Quando um homem for recém-casado não sairá à guerra, nem se lhe imporá encargo algum; por um ano inteiro ficará livre na sua casa para alegrar a mulher que tomou para si”.

Havia os dias certos para os casamentos. Se fosse uma virgem este se dava na quarta-feira, o que nos faz entender que José e Maria se casaram neste dia. As viúvas às sexta-feiras.

A noiva deveria estar pronta quando ele chegasse. Pra ter certeza, que a noiva teria a maior surpresa, o noivo chegava à meia-noite, enquanto ela dormia, mas as lamparinas (dela e das madrinhas) deveria estar cheias de óleo. Ia todo mundo em procissão até a casa que seria deles. Lembra muito a parábola de Jesus das dez virgens de Mateus 25.

 A tradição judaica antiga aconselha a noiva e o noivo a jejuarem no dia de seu casamento, mas também assegura que neste dia Deus perdoa completamente a ambos pelas transgressões cometidas em suas vidas.

É também um costume judaico que a noiva dê ao noivo um talit (manto de oração) novo, como presente de casamento para que a oração seja um marco na vida dos dois. A tradição coloca o Casamento de Maria com José no dia 23 de Janeiro.

Pedimos a Maria e José que abençoe e interceda a Deus por todos os casais que buscam na vida a dois viver o amor, a partilha e o perdão, para que o fruto desta união, os filhos, sejam no futuro a continuidade das graças do Pai.