Podemos chamar Maria de deusa?

 

       Olá amigos (as)! Há duas questões a considerar. Vamos à primeira: ser Maria uma deusa.

Jesus Cristo foi divino e humano. Isso é afirmado tanto na Bíblia como também nos documentos da Igreja: “Jesus Cristo tem duas naturezas, a divina e a humana, não confundidas, mas unidas na única Pessoa do Filho de Deus” (CIC – 481). Diz o Vaticano II: "Na Anunciação do Anjo, a Virgem Maria recebeu o Verbo de Deus no coração e no corpo, e trouxe ao mundo a Vida. Por isso, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor" (Lumen Gentium, 53).

Vejamos como as duas naturezas aparecem na Bíblia. Como divino, Ele é o Cristo (Messias) enviado por Deus: "Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel [Deus conosco]." (Is 7,14). A mesma afirmação veio através do anjo, quando disse a Maria: "O Santo que há de nascer de ti será chamado Filho de Deus" (Lc 1,35). Ainda como divino, encontramos as palavras do apóstolo Paulo, mais de 50 anos após o nascimento de Jesus, aos cristãos da Galácia: "Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher..." (Gl 4,4).

       Já somente como humano, encontramos Jesus com fome (Mt 4, 2), com sede (Jo 4,7; 19, 28), chorando (Jo 20, 35), nervoso (Jo 2, 15),  cansado (Jo 4, 6), etc.

Vamos à segunda questão: não ser Maria uma deusa. Cumpre a nós entender como era e é prestado o culto às divindades femininas (as deusas), as quais existem desde o início da história humana até os nossos dias; considerando que deusa é uma divindade pagã feminina, adorada, a quem se ofereciam cultos e rituais de sacrifícios, não tendo nada em comum com a devoção amorosa, de gratidão e respeito prestados a humilde mocinha de Nazaré, aquela que jamais pensou em receber qualquer glória ou reverência.

Assim, como cristãos católicos e seus devotos, podemos afirmar que nenhum de nós vê Maria como uma deusa, mesmo sendo a mãe de Deus, e sim como nossa mãe, serva do Senhor, protetora, intercessora e ponte para Jesus. Se por desconhecimento dos fatos algum irmão ou irmã possui um sentimento de adoração por ela, a própria Igreja em seus documentos coloca com todo clareza o contrário, e como amá-la e declara-lhe a nossa devoção. “O Catecismo da Igreja católica nos diz: [...] a Santíssima Virgem é legalmente honrada com um culto especial pela Igreja [...] embora seja inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta ao Verbo encarnado, e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo...” (CIC 971).

Ainda na Encíclica EXORTAÇÃO APOSTÓLICA à Virgem Maria SIGNUM MAGNUM - Papa Paulo VI – item 8 – ele disse: “Recordem-se os fiéis de que a devoção autêntica (a Virgem Maria) não consiste em sentimentalismo estéril e passageiro, mas procede da fé verdadeira que nos leva a reconhecer a excelência da Mãe de Deus e nos incita a um amor filial para com a nossa Mãe, e à imitação das suas virtudes”.

Portanto, meus irmãos e irmãs, honrar e venerar a Maria significa reconhecer sua missão como filha, mãe, esposa, discípula, dispostos a imitá-la.

Maria nos convida a seguir seu exemplo, imitar suas virtudes, na obediência, bondade, humildade e fé extraordinária, ela que na verdade, entre as criaturas humanas foi a que ofereceu o exemplo mais brilhante de serva do Senhor quando se tornou colaboradora da redenção.