CATÓLICOS ADORAM MARIA?

 

De antemão posso adiantar que NÃO, pelo menos aquele cristão católico comprometido em construir o Reino de Deus que Jesus veio trazer. Somos conscientes de que devemos adorar somente a Deus. Talvez haja uma pequena confusão no pensamento de alguns quando afirmam tal fato; por certo pela falta de clareza e de informação correta a respeito.

No decorrer dos séculos foram criadas várias imagens de Maria, contudo temos que entender que imagem não é ídolo. Imagem é a lembrança ou representação de alguém que amamos, enquanto que ídolo é tudo aquilo que é substituído por Deus. Jamais algum de nós pensou em substituir Deus por Maria.

É importante destacar que mesmo Maria tendo sido reconhecida pela Igreja como mãe de Deus (por ser mãe de Jesus que é Deus), e que tal título se deve às palavras do seu próprio filho quando se dirigiu aos judeus no Templo: “Eu e o Pai somos um...” Jo 10,30; e ao demônio no deserto: “Não tentarás o Senhor, teu Deus” Mt 4,7, contudo ela não é considerada uma deusa, mas um ser humano especial, pois tudo nela foi dom divino, desde quando o Criador colocou nos corações de seus pais Joaquim e Ana o desejo de ter um filho, até a sua assunção ao céu.

Sendo assim, por certo que a Virgem Maria não é adorada, mas venerada (reverenciada, respeitada, admirada e amada) por seus filhos. Portanto, fique bem claro que nós os católicos não adoramos Maria, mas somente a Deus Pai e Criador.

Maria viveu para o seu Deus. Amou-O e obedeceu-O por toda a sua vida. Ela soube merecer os títulos que recebeu. Foi o modelo perfeito de fé e de confiança em Jesus como o enviado do Pai, testemunha fiel de tudo o que se passou na vida dele por mais de 30 anos, da gestação à Cruz. E, principalmente, reconheceu Nele o seu salvador “[...] meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador” (Lc 1, 47b).

Quanto a ter sua representação através de imagens, foi mais uma forma de carinho do povo por ela. Tal costume não veio a partir de Maria, mas dos primeiros cristãos, tendo início com os apóstolos. Conta a tradição da Igreja, que de tanto amor e carinho devotado pelo povo a eles, quando um morria, todos queriam guardar algo que lhe tivesse pertencido e quando não restava mais nada, erguiam uma imagem para ajudá-los a lembrar do querido amigo por mais tempo. Assim foi também com Nossa Senhora, principalmente a partir de suas inúmeras aparições, nos mais diversos lugares, o que contribuiu para que cada imagem dela fosse representada de forma diferente, surgindo centenas de imagens suas diferentemente representadas, sendo a mesma Maria, a mãe de Jesus.

Como cristãos sabemos que temos um único Mediador, Jesus Cristo Nosso Senhor, porém isto não significa que não possamos ter uma mediadora de intercessão, sua mãe.

O Concílio Vaticano II afirma claramente que "criatura alguma jamais poderá ser comparada com o Verbo encarnado e Redentor" (LG 62), mas um ou uma intercessora sim. Podemos comprovar que um mediador de intercessão foi comum entre os primeiros cristãos, assim como diz o apóstolo Paulo aos seus irmãos de Roma: “Rogo-vos, pois, irmãos..., que me ajudeis com as vossas orações por mim a Deus” (Rm 15,30).

Estejamos certos de que amar e venerar a Virgem Maria não implicará no pecado da idolatria, pelo contrário é Maria com sua intercessão que nos leva a crer em Jesus e, assim, podermos juntos com ela construir melhor o seu Reino.